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Tipos de ordem: com o que você paga a pressa
A ordem a mercado executa com certeza, mas a um preço desconhecido. A limitada, a um preço conhecido, mas pode não executar nunca. Toda a escolha se resume a essa troca.
Uma ordem é uma instrução à bolsa. No fundo há só duas: «compre agora, custe o que custar» e «compre se me derem pelo meu preço». Todo o resto são acessórios sobre essas duas. A diferença não é técnica: ela define qual dos dois, você ou o mercado, define o preço.
Ordem a mercado (market)
Você diz: «levo o que houver, a qualquer preço». A bolsa percorre o livro de cima para baixo e junta o volume. A execução é garantida; o preço, não. Numa moeda líquida a diferença será de um tick; numa fina, de vários por cento. A ordem a mercado sempre retira liquidez do livro, e por isso sua comissão é maior (taker).
Ordem limitada (limit)
Você diz: «compro por no máximo 0.4820». A ordem entra no livro e espera. Se o preço chegar, executa pelo seu preço ou melhor. Se não chegar, não executa nunca. A ordem limitada acrescenta liquidez ao livro e sua comissão é menor (maker); em algumas bolsas até negativa: pagam a você.
O que você está escolhendo
| A mercado | Limitada | |
|---|---|---|
| Execução | garantida | pode não acontecer |
| Preço | desconhecido de antemão | o seu ou melhor |
| Comissão | maior (taker) | menor (maker) |
| Quando usar | é preciso pegar o movimento | o preço virá sozinho |
Quanto custa a impaciência
Comissão taker 0.05%, maker 0.02%. Você opera dez vezes por dia com $2000 de giro. A mercado: 20 operações × $2000 × 0.05% = $20 por dia, $600 por mês. Com limitadas: $8 por dia, $240 por mês. Uma diferença de $360 por mês tirada do nada — sabendo que parte das ordens limitadas não vai executar, e isso também é um preço.
Ordem stop (stop)
É uma ordem limitada ou a mercado que dorme invisível na bolsa e acorda quando o preço toca o nível indicado. O stop-market, ao disparar, vira ordem a mercado: executa com certeza, ao preço que houver. O stop-limit vira ordem limitada: executa pelo seu preço, ou não executa se o mercado passou direto.
Usar stop-limit como stop de proteção
O erro mais caro desta lição. Você coloca um stop-limit de venda: gatilho 63 000, limite 62 950. Sai uma notícia e o preço afunda num segundo de 63 100 para 61 800; ninguém recomprou seu limite no livro, a ordem fica pendurada sem vender e a posição segue caindo. Um stop de proteção precisa ser stop-MARKET: a função dele é sair a qualquer preço, não sair com elegância.
Take-profit
Tecnicamente é a mesma coisa, mas do outro lado do preço: fechar a posição ao atingir o lucro. Aqui sim a variante limitada cabe: você não tem pressa nenhuma, e se faltaram dois ticks para o preço chegar ao alvo, nada de grave aconteceu.
Acessórios que você vai encontrar
- Post-only — a ordem é cancelada se, ao ser colocada, fosse executar imediatamente. Garante comissão maker.
- Reduce-only — a ordem só pode reduzir a posição, nunca abrir a contrária. Seguro contra inverter sem querer.
- IOC (immediate-or-cancel) — execute o que der agora e cancele o resto.
- FOK (fill-or-kill) — execute inteira ou não execute nada.
- Trailing stop — um stop que se arrasta sozinho atrás do preço a uma distância dada.
Nossa negociação em papel tem ordens a mercado, limitadas e stops. É a mesma interface de uma bolsa de verdade, mas sem dinheiro: dá para conferir com calma como um stop-limit se comporta num movimento brusco sem pagar por essa experiência.
Abrir a negociação em papelTeste um stop no replay
Abra o bar replay num dia em que houve uma vela brusca de queda. Coloque um stop-limit abaixo do preço atual com o limite 0.1% abaixo do gatilho e avance o replay através dessa vela. Veja se ele executou. Repita com um stop-market. Você vai lembrar da diferença melhor do que deste parágrafo.
Você quer entrar comprado se o preço romper o nível 65 000. Que ordem colocar?
Um stop-market de compra com gatilho um pouco acima de 65 000, se o que importa é pegar o movimento. Ou uma limitada em 65 000, se você aceita perder a entrada quando o mercado cruzar o nível sem repique. O primeiro é mais confiável, o segundo mais barato. A escolha depende do que é pior para você: pagar a mais ou ficar de fora.
Por que a bolsa cobra menos do maker e às vezes até paga a ele?
Porque as ordens limitadas são o livro. Sem elas não há com o que operar: a ordem a mercado não encontra contraparte. A bolsa paga para que o livro esteja denso e cobra de quem consome essa densidade. Daí os nomes: o maker faz o mercado, o taker o leva embora.