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A vela e o tempo gráfico: o que o gráfico esconde
Uma vela é a compressão de centenas de negociações em quatro números. Três deles você vê, e a ordem em que tudo aconteceu se perde para sempre.
Uma vela descreve um intervalo de tempo com quatro números: preço de abertura, máxima, mínima e preço de fechamento. O corpo vai da abertura ao fechamento, os pavios até os extremos. Tudo que aconteceu por dentro está dobrado nesses quatro valores.
O que se perde
A perda principal é a ORDEM. Uma vela com pavios longos em cima e embaixo pode significar duas histórias completamente diferentes: o preço subiu, depois desceu e voltou — ou primeiro desceu e depois subiu. Pela vela em si é impossível distinguir. É justamente por isso que uma vela sozinha quase não significa nada, enquanto uma sequência de velas significa muito.
Uma vela, duas histórias
Vela de uma hora: abertura 100, máxima 104, mínima 96, fechamento 101. História um: o preço subiu tranquilo até 104, depois desabou para 96 em dois minutos e repicou — é um estouro de liquidações, e fala de fraqueza dos compradores lá em cima. História dois: o preço caiu direto para 96, ali foi recomprado e levado a 104, e depois houve realização até 101 — é força dos compradores lá embaixo. As conclusões são opostas e a vela é a mesma. Desça ao gráfico de um minuto e você verá o que aconteceu de verdade.
Tempo gráfico não é «precisão»
Crença difundida: o gráfico de um minuto é «mais preciso» que o diário. Ele não é mais preciso, é mais MIÚDO. Nos minutos há mais eventos, mas a esmagadora maioria é ruído: movimentos que não decidem nada e que em uma hora não deixam rastro. Nos diários há poucos eventos, mas quase cada um significa alguma coisa. Ao mudar de tempo gráfico você não muda a resolução da imagem, e sim a proporção entre sinal e ruído.
O que cada escala entrega
| Tempo gráfico | Sinal | Ruído | Para quê |
|---|---|---|---|
| 1 min | pouco | muitíssimo | ponto de entrada, execução |
| 5–15 min | médio | muito | trabalho intradiário |
| 1–4 horas | muito | médio | estrutura do movimento |
| 1 dia | muitíssimo | pouco | tendência e níveis principais |
| 1 semana | máximo | quase nenhum | o pano de fundo, onde estamos |
A regra do maior e do menor
Uma abordagem que funciona é quase sempre de dois níveis. O tempo gráfico maior responde a «o que está acontecendo e para que lado eu quero operar». O menor responde só a «onde exatamente entrar». Se a decisão sobre a direção é tomada nos minutos, você está operando ruído: o gráfico de um minuto vai mostrar uma virada dez vezes por dia.
Descer para um tempo gráfico menor quando a posição está no prejuízo
O erro mais traiçoeiro, e quase todo mundo já o cometeu. A posição foi aberta pelo gráfico de uma hora, vai contra você, você troca para cinco minutos — e encontra ali «sinais de virada». Ali sempre é possível encontrar: em qualquer escala menor existe um repique local. Isso não é análise, é procurar consolo. A regra é simples: a decisão se toma no tempo gráfico em que a posição foi aberta, e só é permitido mudar para cima.
A borda da vela é arbitrária
A vela diária fecha à meia-noite — mas de que horário? Na bolsa normalmente é UTC, e na sua tela pode estar outro fuso, e aí «a mesma» diária vira outra. O mesmo com as de quatro horas: a grade 0-4-8 e a grade 2-6-10 dão velas diferentes sobre os mesmos dados. Daí uma consequência importante: um padrão que se sustenta só numa grade e se desfaz na deslocada não é um padrão, é uma coincidência.
No nosso gráfico mudam-se tanto o tempo gráfico quanto o fuso horário: dá para ver como a mesma diária muda em UTC e no seu fuso. E o bar replay permite rodar a história vela a vela e ver como se formou aquilo que agora parece óbvio.
Sobre o gráfico e suas ferramentasDesmonte uma vela em minutos
Procure no gráfico de uma hora uma vela com pavios longos para os dois lados. Mude para a escala de um minuto e veja em que ordem o preço andou dentro dela. Faça isso com cinco velas assim: você vai descobrir que em cerca de metade dos casos seu palpite sobre a ordem estava errado. Esse é exatamente o preço da informação que a vela joga fora.
Por que não dá para tirar conclusões de uma vela só?
Porque ela guarda apenas quatro números e perde a ordem dos acontecimentos internos. Velas idênticas surgem de cenários opostos. O que importa é a sequência: onde essa vela está em relação às anteriores, o que veio antes e o que veio depois.
Você opera pelo gráfico diário. Para que serve o de um minuto?
Só para entrar e sair. O diário dá a direção e os níveis; o de um minuto permite entrar a dois ticks do nível em vez de vinte e assim reduzir o risco por operação. Mas se o de um minuto começa a influenciar a própria decisão de «comprar ou vender», você trocou de estratégia sem perceber por outra que não testou.