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Medo de perder: quanto custa entrar num movimento que já aconteceu

Pegamos 459 impulsos e calculamos o que acontece com quem entra neles. Na direção, uma moeda ao ar honesta. No caminho até ela, uma queda que tira sete entradas de cada dez.

Uma moeda na primeira linha da tabela, uma vela verde bonita, volume três vezes acima do normal. Na cabeça se forma a frase: «vai embora sem mim». Ela é montada com esperteza: fala do futuro mas se apoia no passado. O movimento que você vê já aconteceu; a única pergunta é o que virá DEPOIS. A isso se responde não com raciocínio e sim com uma medição.

Como calculamos

Pegamos as 80 moedas mais líquidas e 83 horas de minutos. Encontramos todos os casos em que o preço subiu 3% ou mais em cinco minutos: foram 459, com força mediana de impulso de 3.5% e máximo de 17.7%. Depois fizemos o que uma pessoa faz: entramos no fechamento daquela mesma vela em que tudo se vê. E olhamos o que veio depois.

Resultado de entrar no fechamento da vela de impulso (459 casos)

Depois deMedianaFatia no positivo
15 minutos−0.10%48.4%
30 minutos−0.03%49.7%
60 minutos−0.13%47.9%

A direção é uma moeda ao ar honesta: depois de uma hora estão no positivo 47.9% das entradas, com mediana de resultado de menos um décimo de por cento. Nos dados não há nenhum «depois do impulso o preço continua», mas também não há o contrário: também não acontece um desabamento. O impulso simplesmente não contém informação sobre para onde o preço vai depois. Já sobre o que vai acontecer PELO CAMINHO, ele fala com bastante clareza.

O quanto o preço foi CONTRA a entrada ao longo de uma hora

Caiu abaixo da entradaFatia de casos
1% ou mais84.3%
2% ou mais69.9%
3% ou mais56.2%
Profundidade mediana da queda−3.49%
Voltou abaixo do nível anterior ao impulso47%

O número principal da lição

Setenta por cento. É essa a proporção de entradas que vão ao vermelho pelo menos 2% no prazo de uma hora. Significa que um stop comum de 2% te tira em sete de cada dez casos, independentemente de para onde o preço vá depois. Você paga não por um erro de direção, e sim por ter entrado no ponto em torno do qual o preço se joga mais. A amplitude mediana depois de um impulso vai de −3.49% a +4.35% em uma hora.

A expectativa é negativa antes mesmo de qualquer erro humano. E é uma estimativa otimista: a medição entrava exatamente no fechamento da vela, e uma pessoa vê a moeda na tabela mais tarde, um ou dois minutos depois, quando o movimento já avançou. O preço real de entrada é pior que o calculado.

Exemplo com números

Os seis deslizes da primeira lição, em dinheiro

Na primeira lição calculamos que quem desliza em apenas um por cento dos casos faz 6 operações fora do plano por mês. Vamos lhes dar os números honestos desta medição: −0.23% por ida e volta. Seis operações dão −1.4% da conta por mês, cerca de −17% ao ano — e isso com cada operação parecendo, isoladamente, «só vou testar, aqui está óbvio». E se a pessoa ainda pegar essas entradas com tamanho maior que o planejado (coisa comum: se o movimento é forte, a confiança também), o prejuízo cresce proporcionalmente.

Erro típico

«Entro, mas ponho o stop mais perto»

A correção mais frequente, e ela piora as coisas. Um stop de 1% com queda mediana de 3.49% dispara em 84% dos casos: você paga garantido a comissão e o stop, e quase não deixa margem para uma virada a seu favor. Um stop apertado no ponto de maior agitação não é prudência, é pagar para sair no ruído. Se uma operação exige um stop mais largo que o seu habitual, a resposta correta não é «estreitar o stop» e sim «pegar menos tamanho» — ou não entrar.

Em que isso difere de operar impulsos

A ressalva é importante, senão a lição soa como «impulsos são inúteis». Não são: no curso de dados de derivativos está explicado como um pico de volume e a alta dos contratos em aberto juntos apontam a chegada de dinheiro novo. A diferença não está no instrumento e sim em quem toma a decisão. Operar impulsos é uma regra escrita de antemão com stop, tamanho e lista de moedas próprios. FOMO é uma decisão tomada PORQUE você viu uma vela verde. O primeiro dá para conferir numa amostra; o segundo nem dá para descrever em palavras antes de acontecer.

Por que isso não se cura com prudência

O medo de perder não discute com o seu conhecimento: ele aparece antes dele. Por isso a única defesa que funciona é colocada antes, e não durante: a lista de instrumentos que você opera e a regra de que uma entrada só conta a partir de um nível escrito de antemão. Uma moeda que não está na lista não cria pergunta; um nível que não foi escrito não cria entrada. É justamente a redução do número de decisões da primeira lição.

A nossa fita de impulsos mostra os movimentos conforme eles aparecem. Olhe para ela como dados e não como convite: volte depois de uma hora e confira onde ficou o preço das moedas que estavam na fita.

Como funcionam os impulsos
Exercício

A sua medição em vez da nossa

Pegue vinte moedas da fita de impulsos, anote o preço no momento em que você as viu e a hora. Exatamente uma hora depois abra o gráfico de cada uma e marque duas coisas: onde está o preço agora e até onde ele chegou a ir contra a entrada. Vinte observações não vão provar uma regularidade, mas vão te mostrar a sua própria amplitude contra — e é ela que decide o destino de uma operação dessas.

Teste-se

O impulso não prevê a direção. Por que então entrar nele é pior que ao acaso?

Por causa dos custos e da amplitude. A direção realmente é uma moeda ao ar (47.9% no positivo depois de uma hora), mas uma ida e volta a mercado custa cerca de 0.1%, e depois de um impulso o preço vai contra a entrada 2% ou mais em 70% dos casos. Você paga comissão e recebe uma queda que dispara um stop comum, em troca de uma expectativa nula na direção.

Teste-se

Em que operar impulsos difere de FOMO, se a operação parece igual?

No momento em que a decisão foi tomada. Ao operar impulsos, a regra, o stop, o tamanho e a lista de moedas estão escritos ANTES de o impulso acontecer, e o resultado pode ser calculado numa amostra. FOMO é uma decisão provocada pela própria vela verde; não dava para formulá-la de antemão, e portanto não dá para conferir nem repetir.