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Swing: por que um horizonte longo é melhor aritmeticamente

Ao dobrar o horizonte você ganha mais caminhada mas paga os mesmos custos por operação. O outro lado: agora o movimento acontece sem você, e por isso te cobram funding.

O que muda quando a posição fica para a noite

Passar da operação intradiária para o swing parece «a mesma coisa, só que mais longa», mas mudam três coisas ao mesmo tempo. Surge um pagamento pelo tempo: o funding é debitado três vezes por dia. Surge movimento que vai acontecer sem você: uma notícia às quatro da manhã pega a posição aberta. E muda o tamanho: um stop de horizonte semanal é várias vezes mais largo que um diário, então com o mesmo risco em dinheiro a posição precisa ser menor. Swing não é «um intradiário que não deu tempo de fechar».

A regularidade principal: a caminhada cresce como a raiz do tempo

Isso foi medido nos nossos dados, não tirado de um livro. Mediana da caminhada em 166 moedas líquidas: 0.54% em 5 minutos, 1.02% em 15 minutos, 1.84% em uma hora, 3.18% em 4 horas, 7.46% em um dia. Compare com o crescimento do tempo: uma hora é 12 vezes mais longa que cinco minutos, e a caminhada é só 3.4 vezes maior. A raiz de doze é 3.46. A coincidência é quase exata, e não é casual: é assim que se comporta um passeio aleatório.

O tempo cresce mais rápido que a caminhada

HorizonteCaminhadaMais tempo que 5mMais caminhada
5 minutos0.54%
15 minutos1.02%1.9×
1 hora1.84%12×3.4×
4 horas3.18%48×5.9×
um dia7.46%288×13.8×

O sentido prático importa mais que a fórmula: dobrando o horizonte você ganha cerca de 1.4 vez mais caminhada. E os custos por operação não mudam nada: você paga a mesma ida e volta. Ou seja, a margem calculada na lição anterior cresce com o horizonte, e cresce de forma notável: de 5.4 em cinco minutos para 75 na janela diária.

Por que isso torna o swing mais barato

Some duas coisas. A caminhada cresce como a raiz do tempo: devagar, mas cresce. Os custos crescem linearmente com o número de operações — e num horizonte longo as operações são dezenas de vezes menos. O resultado é que a fatia dos custos cai rápido: num scalper com trinta operações por dia são 3% da conta por dia, e num swinger com uma operação por semana 0.1% por semana. Duzentas vezes de diferença, e ela não exige nem marcação melhor nem mais precisão.

O que se paga por isso

Primeiro, o funding. A taxa mediana é 0.0051% por cálculo, ou seja 0.015% por dia e cerca de 0.1% por semana: mais uma ida e volta de custos, tolerável. Mas numa moeda em pleno movimento a taxa chega a décimos de por cento por cálculo, e aí uma semana custa vários por cento — comparável ao alvo da operação. Segundo, a impossibilidade de intervir: o movimento vai acontecer enquanto você dorme e o stop vai disparar num preço que você não escolheu. Terceiro, o mais subestimado, é o prazo de validade da ideia. Uma ideia calculada para uma semana pode simplesmente envelhecer nessa semana, e você vai segurar a posição por um motivo que já não existe.

Exemplo com números

A mesma ideia em dois horizontes

Uma moeda com caminhada típica de 1.84% por hora e 7.46% por dia. Operação intradiária: alvo em torno da caminhada de uma hora, stop mais ou menos igual, custos 0.1% — são 5% do alvo. Operação semanal na mesma moeda: a caminhada semanal, pela raiz da diária, fica em torno de 20%; o alvo é dessa ordem, os custos os mesmos 0.1% mais o funding da semana, 0.1%, no total 0.2% — já é 1% do alvo. A fatia dos custos caiu cinco vezes. É justamente por isso que uma mesma marcação transferida para a escala maior muitas vezes começa a funcionar sem melhoria nenhuma.

Erro típico

Segurar um swing com tamanho de intradiário

O erro mais frequente e mais caro da transição. O tamanho da posição é calculado a partir da distância até o stop: quanto mais largo o stop, menor a posição com o mesmo risco em dinheiro. Um stop semanal é várias vezes mais largo que um diário, então a posição precisa ser essas mesmas vezes menor. Quem deixa o tamanho intradiário por uma semana multiplicou o próprio risco exatamente por esse número — e costuma descobrir isso na primeira semana ruim. Isso precisa ser conferido antes e não depois: calcule o prejuízo se o stop disparar e compare com o que você está disposto a perder.

Erro típico

Olhar a posição de swing a cada hora

O swing é escolhido para não ficar sentado diante da tela, e depois a pessoa fica sentada diante da tela. O dano aqui não está no tempo gasto e sim nas decisões: o ruído horário num horizonte semanal é exatamente aquilo que você concordou em ignorar ao abrir a posição. Observando-o sem parar, você inevitavelmente vai fechar antes da hora por um movimento que não significa nada para a sua ideia. O remédio prático: definir uma hora de conferência — por exemplo uma vez por dia, depois do fechamento da vela diária — e no resto do tempo não abrir o gráfico.

No screener o NATR é calculado por janelas diferentes, inclusive a diária. Compare na sua moeda o NATR de uma hora e o de um dia: a relação vai mostrar quantas vezes a sua margem cresce ao passar para o horizonte semanal. Ao lado olhe a taxa de funding e o ranque dela no mês — é a outra metade da conta, e ela é conhecida de antemão.

Sobre a volatilidade e o NATR
Exercício

Refaça a conta da sua última operação como semanal

Pegue a última operação intradiária e refaça a conta como se fosse semanal. Pegue o NATR diário do instrumento e multiplique pela raiz de sete: essa é a caminhada aproximada de uma semana. Ponha o stop com base nessa caminhada, calcule o tamanho da posição a partir do seu risco admissível em dinheiro e acrescente o funding de sete dias pela taxa atual. Compare dois números: a fatia dos custos no alvo da operação diária e da semanal. Na maioria a segunda sai várias vezes menor — e esse é o único argumento a favor do horizonte longo que não depende de saber acertar.

Teste-se

A caminhada de uma hora é 2% e a de um dia 8%. Por que não 48%?

Porque o preço não vai para o mesmo lado durante vinte e quatro horas: ele vai e volta, e parte dos movimentos se anula. Por isso a caminhada cresce aproximadamente como a raiz do tempo e não proporcionalmente a ele: a raiz de 24 é 4.9, e oito por cento contra dois se encaixa justo nessa ordem. A conclusão prática é uma só e é importante: num horizonte longo você ganha mais caminhada, mas NÃO tantas vezes quanto o tempo que segura. Esperar crescimento linear é o jeito certo de definir um alvo irreal e fechar no stop sem chegar nele.

Teste-se

Se o horizonte longo é melhor em custos, por que nem todo mundo faz swing?

Porque os custos não são o único preço. Pelo horizonte longo se paga com funding, com a impossibilidade de intervir e, sobretudo, com tempo: uma operação semanal ocupa uma semana da sua vida e do seu capital, e o resultado vem raro e devagar. Mais a psicologia: aguentar três dias no vermelho é mais duro que fechar um prejuízo em dez minutos, embora no segundo caso se perca o mesmo dinheiro. A aritmética diz que o horizonte longo é mais barato; ela não diz que você vai conseguir suportá-lo — e isso já é assunto do próximo curso.