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Desequilíbrio: o lugar onde quase não houve negociação
Uma caminhada rápida deixa no gráfico uma faixa que o preço atravessou sem negociação contrária. Para lá se volta com frequência — mas «com frequência» aqui não significa «obrigatoriamente», e isso importa mais que a própria figura.
Quando o preço sai muito rápido, parte do caminho ele percorre quase sem negócios: não havia ordens suficientes do lado contrário e o mercado pulou uma faixa inteira de preços. Essa faixa é o desequilíbrio. A mecânica é simples e honesta: onde não houve negociação ficaram intenções não executadas — compradores que queriam entrar mais barato e vendedores que queriam sair mais caro. Enquanto essa faixa não for percorrida em ritmo calmo, o trabalho é considerado por fazer.
Como achar no gráfico
Olhamos três velas seguidas. Se a máxima da PRIMEIRA estiver abaixo da mínima da TERCEIRA, entre elas ficou uma faixa que a vela do meio atravessou de uma vez. É um gap de alta. Na baixa é espelhado: a mínima da primeira acima da máxima da terceira. Não é preciso procurar mais nada — a construção é inteiramente mecânica, e essa é a virtude dela: não dá para discutir com ela, ou existe ou não.
Um gap em números
Três velas de uma hora. A primeira tem máxima de 3 218 e a terceira mínima de 3 246. Entre elas há uma faixa 3 218 … 3 246 de 28 pontos de largura — o preço a atravessou em uma hora. O ATR do instrumento é 34, então o gap ocupa 0.8 da amplitude horária habitual: é um buraco considerável, e não um pixel. Um dia depois o preço volta a 3 240, a borda superior do gap. Dali muitas vezes vem a continuação para cima, porque quem queria comprar mais barato finalmente tem a chance. O stop numa entrada dessas é posto abaixo da borda INFERIOR do gap, 3 218: se a faixa for percorrida por inteiro, o motivo para entrar desaparece.
Sem limiar, há centenas de gaps no gráfico: na escala de minutos eles surgem em quase todo pico. Metade da amplitude habitual de uma vela é um limite inferior razoável: tudo o que for menor o mercado fecha na mesma hora e sem a sua participação. O limiar é tirado do ATR da escala em que você trabalha, e não de pontos absolutos — senão uma regra afinada no bitcoin não sobrevive à mudança para uma moeda de três centavos.
Achar que um gap é obrigado a fechar
O engano mais perigoso do tema, porque ele empurra a operar CONTRA o movimento. Um gap é o rastro de uma caminhada rápida, e uma caminhada rápida costuma significar que apareceu uma causa nova: uma notícia, liquidações, uma entrada grande. O preço volta ao gap com frequência, mas às vezes não volta por meses e às vezes não volta nunca. A afirmação «o preço sempre fecha os gaps» não pode ser refutada — sempre dá para dizer «ainda não fechou» — e por esse sinal se vê que ela é inútil para decidir.
Operar um gap contra a escala maior
Um gap de baixa dentro de uma tendência diária de alta não é um convite para vender e sim um lugar ao qual o preço provavelmente vai voltar para continuar subindo. A construção sozinha não dá direção: ela aponta um LUGAR, e a direção vem da escala superior. O erro parece convincente justamente porque o gap de fato é trabalhado com frequência — só que trabalhado como ponto de entrada a favor da tendência, e não como virada.
O que fazer com um gap percorrido pela metade
O mais frequente é o preço entrar na faixa até a metade e virar, sem chegar à borda distante. É normal e até esperado: as intenções estavam distribuídas por toda a faixa, e uma parte bastou. Consequência prática: a entrada é planejada a partir da borda próxima ou do meio, e o stop é posto atrás da distante. Esperar o fechamento completo significa perder com regularidade o movimento que começou sem você.
Os gaps são o lugar em que o bar replay é mais útil. No histórico você vê os gaps fechados e não nota os que ficaram abertos: o olho pega a confirmação. No replay o gráfico anda vela a vela, o futuro não é carregado nem para os indicadores, e contar com honestidade só dá assim.
Gráfico e bar replayTrinta gaps e uma conta honesta
Ache trinta gaps com largura de pelo menos meio ATR na escala de uma hora. De cada um anote três coisas: se ele fechou em uma semana, se o preço entrou pelo menos até a metade, e se a direção do gap coincidia com a tendência diária. Depois calcule a proporção de fechados separadamente para os que iam a favor da tendência e para os que iam contra. Se não houver diferença, a direção não importa e a regra pode ser simplificada. Se houver, você achou um filtro no qual vale se segurar.
O gap está aberto há três semanas e o preço foi longe. Vale esperar o retorno a ele?
Como evento, dá; como base para uma operação, não. Quanto mais tempo um gap fica aberto, menos sobra dele: as intenções que havia ali envelheceram, e os participantes que queriam entrar mais barato já resolveram o problema deles de outro jeito em três semanas. Um gap é o rastro de um evento recente, e a força dele decai com o tempo. A marca pode ficar no gráfico, mas construir uma entrada sobre ela três semanas depois é operar uma lembrança.
Por que no gráfico de um minuto há muito mais gaps que no diário?
Porque numa escala pequena qualquer pico deixa um salto entre velas: em um minuto há fisicamente menos ordens do lado contrário, e pular uma faixa é mais fácil. Na escala diária, um gap de igual importância significa que o mercado pulou um preço que não conseguiu fechar em vinte e quatro horas — é um evento de outro peso. Daí o limiar em frações de ATR: ele se ajusta sozinho à escala e não deixa tomar o ruído de um minuto por um achado.