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Bloco de ordens: o preço de onde o movimento começou
Nem toda vela antes de um impulso é um bloco de ordens. O que o torna útil é um filtro, e sem ele os blocos aparecem às dezenas por dia.
Um bloco de ordens é o preço de onde começou uma caminhada forte. Há mecânica por trás e ela é simples: se o movimento partiu daqui, é que alguém entrou com volume, e parte dos que queriam entrar não chegou a tempo. Essas intenções não executadas não sumiram — quando o preço voltar ao mesmo lugar, é bem provável que se manifestem de novo.
Como marcar
Pegamos a última vela CONTRA o movimento futuro, logo antes do movimento. Para uma alta é a última vela vermelha antes do impulso de subida; para uma queda, a última verde antes do impulso de descida. A zona vai da abertura dela até o ponto extremo dela. Todo o resto na marcação de blocos são variações dessa regra, e não vale discutir sobre elas: importa mais que a sua regra seja sempre a mesma.
A marcação em números
O preço andou três dias entre 1 840 e 1 862. Última vela vermelha antes da saída para cima: abertura 1 848, mínima 1 844. Depois, impulso até 1 930 sem um único repique — uma caminhada de mais de dois ATR. Bloco: 1 844 … 1 848. Dois dias depois o preço volta a 1 847 — isso é um toque no bloco. Entrada dali, stop abaixo de 1 838: abaixo do bloco mais uma margem para o ruído. Repare que o bloco é estreito — quatro pontos — e o stop sai curto. É justamente por isso que essa entrada é pega: não porque «vai funcionar» e sim porque errar sai barato.
O filtro sem o qual tudo desmorona
Vela antes do movimento TODO movimento tem. Se você marcar todas, num dia se juntam uma dezena, e metade vai coincidir com uma virada sem falta — pelo puro número de tentativas. Regra de descarte: um bloco só conta se o movimento que partiu dele QUEBROU a estrutura, ou seja, renovou uma máxima ou mínima relevante. Uma caminhada que só balançou dentro do intervalo não cria bloco.
Duas condições, ambas testáveis com um número. A primeira descarta trancos pequenos: uma caminhada menor que duas amplitudes de vela comuns não é impulso e sim oscilação normal. A segunda descarta movimentos dentro do intervalo: se a máxima não foi renovada, o arranjo das ordens não mudou, e não há por que explicar essa caminhada com a entrada de alguém. O limiar de 2 ATR não é sagrado — dá para pegar 2.5 — mas precisa estar escrito de antemão e ser igual para todas as marcações.
Achar que um bloco funciona para sempre
Uma ordem tocada é executada e desaparece — aqui a mecânica é exatamente a de um nível comum. O primeiro toque no bloco faz sentido, o segundo é mais fraco, o terceiro normalmente já não significa nada: aquilo pelo que o preço ia até lá já foi levado. Regra prática: o bloco vive até o primeiro toque; depois dele vira um preço comum do passado. Marque os blocos já usados com outra cor, senão em uma semana o gráfico terá vinte zonas «vigentes».
Inventar a história de quem esteve ali
«Aqui um jogador grande estava montando» é uma frase que não acrescenta nada à marcação, mas acrescenta confiança. E confiança, nesse assunto, vira tamanho de posição. No gráfico se vê apenas que dali começou uma caminhada; quem a começou e para quê não está escrito. A marcação diz «aqui há volume contrário com mais frequência que o normal» — e isso é tudo o que ela pode dizer com honestidade.
O bloco de ordens tem uma conferência que a maioria das construções não tem. Depois de marcá-lo, olhe as densidades: há agora mesmo ordens limitadas grandes naquele preço? Se coincidiu, você não está mais adivinhando — ali há dinheiro alheio de verdade. Se não coincidiu, o bloco continua sendo palpite, e o tamanho da posição deve ser escolhido de acordo. A ressalva é a mesma: o livro é vivo, um muro pode ser retirado um segundo antes de o preço chegar.
Densidades no livro de ordensVinte blocos às cegas
No bar replay ache vinte blocos de ordens pela sua regra escrita, marcando-os ANTES de ver as próximas velas. De cada um anote: se a caminhada quebrou a estrutura, se ela foi maior que dois ATR, e o que aconteceu no primeiro retorno do preço. Depois divida os blocos em dois montes — os que passaram pelos dois filtros e os que não — e compare a proporção dos que funcionaram. Se não houver diferença entre os montes, os seus filtros não filtram, e é mais útil descobrir isso numa conta de treino.
O preço voltou ao bloco e o atravessou sem parar. O que isso significa?
Que ali já não há volume contrário — ou ele foi levado antes, ou nunca existiu e o movimento começou por outro motivo. É um desfecho normal e não uma falha do método: o bloco desloca probabilidades, não garante repique. O importante é outra coisa — que você colocou o stop ATRÁS do bloco de antemão e perdeu exatamente o que pretendia. Uma marcação não é julgada pela frequência com que acerta e sim pelo quanto custa o erro dela.
Por que um bloco sem quebra de estrutura não conta?
Porque sem quebra de estrutura o arranjo das ordens não mudou: o preço foi e voltou dentro dos limites anteriores, e não há por que explicar isso com a entrada de alguém grande. Esses «blocos» aparecem no gráfico às dezenas — um para cada movimento — e metade vai coincidir com uma virada pelo puro número de tentativas. O filtro não existe para ser rigoroso e sim para a quantidade de marcas ficar administrável: três ou quatro por semana em vez de trinta.