6 / 7 · 7 min
O tempo: o que nas sessões é testável e o que foi copiado de outro mercado
A cripto é negociada vinte e quatro horas, mas não de forma uniforme. O ritmo diário existe e é mensurável; as «janelas mágicas» dos cursos, não.
A bolsa funciona sem folga, mas as pessoas não. A atividade vem em ondas seguindo o dia de trabalho: a manhã asiática, o dia europeu, a tarde americana. A sobreposição de Europa e América — aproximadamente das 13 às 16 GMT — é o horário mais movimentado do dia. Não é teoria: o perfil diário de giro pode ser medido no seu próprio histórico, e ele é estável de semana em semana.
O tamanho da diferença
Medição no bitcoin: o giro horário mediano às 03:00 GMT fica em torno de 41 milhões de dólares, e às 14:00 em torno de 186 milhões. Mais de quatro vezes de diferença, e é a mediana, não um extremo de um dia. A consequência prática importa mais que o número: um pico «o dobro do normal» às três da madrugada e às duas da tarde são eventos completamente diferentes. O primeiro significa que duas pessoas acordaram; o segundo, que chegou dinheiro.
O que disso é testável
É testável tudo o que dá para medir no seu próprio histórico: a que horas chega o giro do SEU instrumento, quando a amplitude é maior, quando os movimentos bruscos acontecem com mais frequência. Não é testável tudo o que é apresentado como uma janela universal com precisão de minutos. Essas janelas vieram do forex, onde as sessões têm causa física: a abertura dos bancos em Londres e Nova York. Em cripto não há o que abrir: a bolsa não fechou.
Transferir o horário do forex para a cripto como está
O erro mais frequente do tema, e ele aparece nos detalhes. «A abertura de Londres às 08:00» faz sentido onde às 08:00 realmente começam a trabalhar pessoas com dinheiro. Em cripto, nessa hora simplesmente há mais europeus — de forma gradual, e não de repente. Pior ainda com o horário de verão: Londres e Nova York mudam a hora e Greenwich não, e a janela decorada se desloca uma hora duas vezes por ano. Se a sua regra está presa a um horário, ela precisa estar presa ao GMT e medida nos seus próprios dados.
Horários que TÊM causa
- O início do dia da bolsa: a partir do preço de abertura se calcula se o mercado está no positivo ou no negativo, e por isso ele funciona como nível.
- O cálculo do funding — normalmente a cada oito horas. Antes dele as posições são ajustadas para não pagar; depois dele a pressão diminui.
- A divulgação de dados macro e as reuniões de bancos centrais: o horário é conhecido de antemão e a reação pode ser instantânea.
- A abertura do mercado acionário dos EUA — para os nossos contratos sobre ações: até lá o preço do contrato vive sem o próprio papel.
Manter o mesmo tamanho de posição em qualquer horário
À noite o livro é mais fino: o mesmo dinheiro move o preço mais longe, e a sua saída sai mais cara. O deslizamento na saída às quatro da madrugada pode comer todo o lucro de uma operação que, com o giro diurno, teria sido limpa. A regra sensata é simples: ou opere nas horas em que o instrumento tem giro, ou reduza o tamanho fora delas. A segunda é mais honesta: a vida comum raramente coincide com o horário da sessão americana.
Os fins de semana são um caso à parte
No sábado e no domingo o giro em cripto cai, o spread se alarga, e os movimentos, por outro lado, costumam ser mais bruscos: um livro fino se move com menos dinheiro. Uma armadilha à parte são os contratos perpétuos sobre ações: eles são negociados vinte e quatro horas enquanto a própria bolsa de ações está fechada. O preço do contrato na noite de domingo para segunda pode ir longe da última cotação real, e de manhã ele volta a ela de um tranco. Isso não é movimento da ação, é a abertura de um gap.
É justamente por causa do ritmo diário que aqui o pico de volume não é calculado por uma régua comum e sim pela norma DAQUELA MESMA HORA para aquela mesma moeda. Senão, todo dia às 14:00 apareceria um pico no mercado inteiro de uma vez, e à noite não apareceria nada. A fita de impulsos e picos fica ao lado da tabela e se atualiza em tempo real.
Impulsos e picos de volumeO perfil diário do seu instrumento
Pegue uma moeda e calcule, nos últimos trinta dias, o giro horário mediano para cada uma das vinte e quatro horas GMT. Monte isso em barras da maior para a menor. Você vai obter o SEU perfil, e não uma figura de um curso alheio, e vai ver três coisas: em que horas a entrada é mais barata, em que horas um pico realmente significa um evento, e se a sua moeda tem um horário próprio que não coincide com o do mercado em geral. Em moedas com público asiático ele costuma ser bem diferente.
Um pico de volume quatro vezes acima do normal às 03:00 GMT. É um sinal forte?
Depende de com o que foi comparado. Se «o normal» foi tirado do dia inteiro, às três da madrugada o giro já é quatro vezes menor que a média — e não há pico nenhum de verdade, você está olhando uma norma diurna aplicada a uma hora noturna. Se, por outro lado, a comparação é com a norma DAQUELA MESMA HORA, então é um evento de verdade: à noite aconteceu alguma coisa. Um mesmo multiplicador significa coisas opostas conforme o denominador.
Por que a «janela de Londres» funciona pior em cripto que no forex?
Porque no forex há uma causa física por trás: em Londres os bancos abrem e entra no mercado um volume que antes não existia. Em cripto a bolsa não fechou, e às 08:00 muda apenas a composição dos participantes — de forma gradual, ao longo de uma ou duas horas. Mais a troca de horário: Londres e Nova York se deslocam duas vezes por ano em relação a Greenwich, e a janela decorada fica parada. O substituto testável é um só: medir o perfil diário do seu instrumento e trabalhar por ele.