4 / 7 · 7 min
Velas: a forma registra a batalha, mas não prevê a próxima
De todo o zoológico de velas, três formas têm explicação mecânica. E nenhuma delas significa nada sem responder ONDE ela apareceu.
Uma vela é o registro comprimido da batalha de um período: por onde começaram, como terminaram e até onde conseguiram arrastar o preço nos dois sentidos. Tudo o que há nela são quatro números. Por isso a vela não prevê nada; ela informa como terminou um trecho de tempo que já passou. O que a torna útil não é a forma em si, e sim o fato de que a forma às vezes entrega a presença de um participante grande: se o preço foi levado longe e devolvido dentro da mesma hora, ali havia alguém com volume.
Três formas com explicação mecânica
| Forma | O que ela registrou | Quando isso significa algo |
|---|---|---|
| pavio longo | o preço foi até lá e foi rejeitado | o pavio esbarra num nível de escala maior |
| engolfo | toda a amplitude do período anterior é coberta por um só | depois de uma calmaria longa ou na borda de um intervalo |
| corpo pequeno depois de um grande percurso | a batalha parou, os lados se igualaram | no fim de um movimento arrastado, não no meio dele |
O resto do vocabulário de velas — «três corvos», «estrela da manhã», «o enforcado» — são nomes inventados em épocas diferentes por pessoas diferentes. Não necessariamente inúteis, mas nenhum deles acrescenta um mecanismo novo às três linhas acima: continuam sendo corpo, pavios e lugar. Aprender quarenta nomes em vez de três é o jeito garantido de encontrar no gráfico aquilo que você procura.
Como se calcula um pavio longo
Vela de uma hora: abertura 184.20, máxima 190.50, mínima 183.60, fechamento 185.10. O corpo é 0.90 e o pavio superior 5.40, ou seja, seis vezes o corpo. Lê-se assim: numa hora levaram o preço a 190.50 e devolveram tudo que estava acima de 185.10 dentro daquela mesma hora. É um fato sobre um preço rejeitado. Ele vira sinal só se 190.50 for o nível de alguém: máxima da semana passada, preço redondo, borda de um intervalo. A mesma vela no meio de um percurso vazio não significa nada.
Ler a forma antes do lugar
Martelos e engolfos aparecem às dezenas no gráfico: em qualquer dia você acha uma dúzia numa moeda só. Se procurar a forma primeiro, você sempre vai achá-la e sempre vai conseguir explicar por que aquela era a de verdade. A ordem tem de ser a inversa: primeiro o lugar (nível, borda de intervalo, fim de um percurso arrastado), e só depois a pergunta do que a vela desenhou ali. A vela é a confirmação de uma decisão tomada por outros motivos, não um motivo em si.
Ler a vela antes de ela fechar
Enquanto o período não acaba, não há forma: o que agora parece um martelo perfeito vai virar, nos quarenta minutos restantes, uma vela vermelha comum. Não é detalhe: sobre isso se constrói uma categoria inteira de entradas falsas, porque a vela não fechada mostra a imagem mais convincente justamente no meio do movimento. A regra é simples: a decisão se toma por velas fechadas. Se esperar o fechamento for insuportável, é que você está operando a escala errada — pegue a menor, onde os fechamentos chegam com mais frequência.
A forma depende de onde o tempo foi cortado
O mesmo movimento na escala de uma hora parece um martelo, e na de quinze minutos são quatro velas comuns entre as quais não há martelo nenhum. Nenhuma das duas imagens é «a verdadeira»: a vela é o resultado de cortar o fluxo contínuo de negócios nos pontos que você escolheu. Daí uma consequência da qual raramente se fala: as velas diárias diferem entre bolsas porque o dia começa em horários diferentes. Se a sua figura some ao passar para a escala vizinha ou para outra bolsa, ela era propriedade do corte e não do mercado.
O que a vela realmente acrescenta
Uma coisa que não está nem no nível nem no volume: a velocidade da rejeição. O nível diz onde estão as ordens; o volume, quanta gente participou; o pavio longo diz com que RAPIDEZ o preço foi devolvido. Uma volta dentro de uma hora e um escorregamento lento de volta ao longo de um dia são eventos diferentes, ainda que o preço final seja o mesmo. Uma rejeição rápida significa que as ordens do nível estavam prontas e eram grandes. Só por isso vale ler velas.
As velas são a parte mais enganosa da leitura do gráfico: no histórico você sempre vê a forma que funcionou e não vê as quarenta iguais que não funcionaram. A única conferência honesta é o bar replay: o gráfico roda vela a vela e você decide antes de ver a próxima. O nosso tem corte honesto: os dados futuros não são carregados nem para os indicadores.
Gráfico e bar replayTrinta velas às cegas
Abra o bar replay em qualquer moeda, escala de uma hora, e rode trinta velas seguidas. Antes de cada passo escreva uma palavra: sobe, desce ou não sei. Contar os «não sei» é o mais valioso do exercício: se forem menos da metade, você provavelmente está inventando confiança. Depois repita o mesmo, mas decidindo só onde a vela estiver num nível marcado de antemão. Compare a taxa de acerto nos dois modos: essa é a resposta para se a forma acrescenta algo sem o lugar.
No gráfico há um martelo perfeito, mas o volume da hora é a metade do normal. O quanto isso muda?
Muda muito. Um pavio longo significa que levaram o preço e o devolveram; o valor disso está em alguém tê-lo recebido com volume. Se o volume está abaixo do normal, quase não houve com o que devolver: o mais provável é que ninguém tenha sustentado o preço num livro fino, e esse mesmo pavio se desenhará da próxima vez sem resistência alguma. Uma forma sem volume e sem lugar é um desenho.
Por que a mesma vela diária parece diferente em cada bolsa?
Porque o dia começa em horários diferentes em cada bolsa, e a vela não passa de um trecho cortado pelo relógio. Deslocar a borda algumas horas leva a máxima e a mínima para a vela vizinha, e a figura se desfaz. Conclusão prática: se a sua construção depende de uma vela diária concreta, confira em outra bolsa e na escala vizinha. O que sobrevive às duas provas é propriedade do mercado; o que some, propriedade do corte.