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Velas: a forma registra a batalha, mas não prevê a próxima

De todo o zoológico de velas, três formas têm explicação mecânica. E nenhuma delas significa nada sem responder ONDE ela apareceu.

Uma vela é o registro comprimido da batalha de um período: por onde começaram, como terminaram e até onde conseguiram arrastar o preço nos dois sentidos. Tudo o que há nela são quatro números. Por isso a vela não prevê nada; ela informa como terminou um trecho de tempo que já passou. O que a torna útil não é a forma em si, e sim o fato de que a forma às vezes entrega a presença de um participante grande: se o preço foi levado longe e devolvido dentro da mesma hora, ali havia alguém com volume.

Três formas com explicação mecânica

FormaO que ela registrouQuando isso significa algo
pavio longoo preço foi até lá e foi rejeitadoo pavio esbarra num nível de escala maior
engolfotoda a amplitude do período anterior é coberta por um sódepois de uma calmaria longa ou na borda de um intervalo
corpo pequeno depois de um grande percursoa batalha parou, os lados se igualaramno fim de um movimento arrastado, não no meio dele

O resto do vocabulário de velas — «três corvos», «estrela da manhã», «o enforcado» — são nomes inventados em épocas diferentes por pessoas diferentes. Não necessariamente inúteis, mas nenhum deles acrescenta um mecanismo novo às três linhas acima: continuam sendo corpo, pavios e lugar. Aprender quarenta nomes em vez de três é o jeito garantido de encontrar no gráfico aquilo que você procura.

Exemplo com números

Como se calcula um pavio longo

Vela de uma hora: abertura 184.20, máxima 190.50, mínima 183.60, fechamento 185.10. O corpo é 0.90 e o pavio superior 5.40, ou seja, seis vezes o corpo. Lê-se assim: numa hora levaram o preço a 190.50 e devolveram tudo que estava acima de 185.10 dentro daquela mesma hora. É um fato sobre um preço rejeitado. Ele vira sinal só se 190.50 for o nível de alguém: máxima da semana passada, preço redondo, borda de um intervalo. A mesma vela no meio de um percurso vazio não significa nada.

Erro típico

Ler a forma antes do lugar

Martelos e engolfos aparecem às dezenas no gráfico: em qualquer dia você acha uma dúzia numa moeda só. Se procurar a forma primeiro, você sempre vai achá-la e sempre vai conseguir explicar por que aquela era a de verdade. A ordem tem de ser a inversa: primeiro o lugar (nível, borda de intervalo, fim de um percurso arrastado), e só depois a pergunta do que a vela desenhou ali. A vela é a confirmação de uma decisão tomada por outros motivos, não um motivo em si.

Erro típico

Ler a vela antes de ela fechar

Enquanto o período não acaba, não há forma: o que agora parece um martelo perfeito vai virar, nos quarenta minutos restantes, uma vela vermelha comum. Não é detalhe: sobre isso se constrói uma categoria inteira de entradas falsas, porque a vela não fechada mostra a imagem mais convincente justamente no meio do movimento. A regra é simples: a decisão se toma por velas fechadas. Se esperar o fechamento for insuportável, é que você está operando a escala errada — pegue a menor, onde os fechamentos chegam com mais frequência.

A forma depende de onde o tempo foi cortado

O mesmo movimento na escala de uma hora parece um martelo, e na de quinze minutos são quatro velas comuns entre as quais não há martelo nenhum. Nenhuma das duas imagens é «a verdadeira»: a vela é o resultado de cortar o fluxo contínuo de negócios nos pontos que você escolheu. Daí uma consequência da qual raramente se fala: as velas diárias diferem entre bolsas porque o dia começa em horários diferentes. Se a sua figura some ao passar para a escala vizinha ou para outra bolsa, ela era propriedade do corte e não do mercado.

O que a vela realmente acrescenta

Uma coisa que não está nem no nível nem no volume: a velocidade da rejeição. O nível diz onde estão as ordens; o volume, quanta gente participou; o pavio longo diz com que RAPIDEZ o preço foi devolvido. Uma volta dentro de uma hora e um escorregamento lento de volta ao longo de um dia são eventos diferentes, ainda que o preço final seja o mesmo. Uma rejeição rápida significa que as ordens do nível estavam prontas e eram grandes. Só por isso vale ler velas.

As velas são a parte mais enganosa da leitura do gráfico: no histórico você sempre vê a forma que funcionou e não vê as quarenta iguais que não funcionaram. A única conferência honesta é o bar replay: o gráfico roda vela a vela e você decide antes de ver a próxima. O nosso tem corte honesto: os dados futuros não são carregados nem para os indicadores.

Gráfico e bar replay
Exercício

Trinta velas às cegas

Abra o bar replay em qualquer moeda, escala de uma hora, e rode trinta velas seguidas. Antes de cada passo escreva uma palavra: sobe, desce ou não sei. Contar os «não sei» é o mais valioso do exercício: se forem menos da metade, você provavelmente está inventando confiança. Depois repita o mesmo, mas decidindo só onde a vela estiver num nível marcado de antemão. Compare a taxa de acerto nos dois modos: essa é a resposta para se a forma acrescenta algo sem o lugar.

Teste-se

No gráfico há um martelo perfeito, mas o volume da hora é a metade do normal. O quanto isso muda?

Muda muito. Um pavio longo significa que levaram o preço e o devolveram; o valor disso está em alguém tê-lo recebido com volume. Se o volume está abaixo do normal, quase não houve com o que devolver: o mais provável é que ninguém tenha sustentado o preço num livro fino, e esse mesmo pavio se desenhará da próxima vez sem resistência alguma. Uma forma sem volume e sem lugar é um desenho.

Teste-se

Por que a mesma vela diária parece diferente em cada bolsa?

Porque o dia começa em horários diferentes em cada bolsa, e a vela não passa de um trecho cortado pelo relógio. Deslocar a borda algumas horas leva a máxima e a mínima para a vela vizinha, e a figura se desfaz. Conclusão prática: se a sua construção depende de uma vela diária concreta, confira em outra bolsa e na escala vizinha. O que sobrevive às duas provas é propriedade do mercado; o que some, propriedade do corte.